Sabemos que a infância é o terreno fértil onde muitas das crenças sobre quem somos e como existimos em grupo começam a se formar. Nesse cenário, a psicologia marquesiana traz uma proposta direta, profunda e sensível: vê a criança como parte de sistemas vivos, cujos laços afetam escolhas, emoções e relações. Queremos compartilhar um guia prático para aplicar essa visão em ambientes educativos, respeitando cada pequeno como protagonista de sua própria história e como peça ativa de família, escola e sociedade.
O olhar sistêmico na infância
Nossa experiência aponta que a infância vive e respira sistemas: a criança nunca está isolada. Pais, cuidadores, educadores, colegas. Cada relação é uma teia, onde lealdades ocultas, histórias familiares e emoções não processadas se entrelaçam.
A criança sente antes de entender.
Esse foco sistêmico nos convida a sair do rótulo do “problema individual” e enxergar o contexto integral. Compreender, por exemplo, que uma criança agitada pode dar sinal de uma tensão coletiva, um segredo familiar, uma crença herdada sem consciência. São pistas para um trabalho mais profundo e efetivo.
As bases da psicologia marquesiana na educação
Trabalhamos com algumas premissas essenciais para trazer o olhar marquesiano para a escola e para o lar:
- O comportamento tem raízes invisíveis. Aquilo que vemos é só a ponta do iceberg.
- Cada criança traz consigo narrativas familiares que influenciam suas vivências.
- O adulto atento amplia possibilidades de maturidade ao se observar e observar a criança sem julgamento.
- Emoção não integrada se repete até ser reconhecida e acolhida.
A partir dessas ideias, o educador deixa de ser apenas um transmissor de informações e passa a ser um mediador atento de vínculos e sentidos.
Como aplicar a escuta ativa e sistêmica
Na nossa prática, a escuta ativa é mais que uma técnica: é um estado de presença, de suspensão dos filtros e de abertura genuína para o que a criança expressa, mesmo que não seja com palavras. Escutar ativa e sistemicamente significa nos perguntarmos:
- O que este comportamento está revelando do sistema ao qual a criança pertence?
- Quais histórias ou emoções podem estar pedindo lugar?
- O que há por trás de um isolamento, agressividade, timidez?
Assim, orientamos que o adulto evite diagnósticos rápidos. Ao reconhecer a complexidade dos sistemas, valorizamos pequenos gestos: um olhar cuidadoso, um tempo de silêncio após um conflito, um convite ao diálogo quando emoções afloram.

Ferramentas práticas: o que podemos fazer?
Acreditamos em intervenções simples, consistentes e recheadas de intenção. Destacamos algumas formas práticas de trazer a psicologia marquesiana para o cotidiano educativo:
Mapeamento de vínculos
Podemos propor, por exemplo, dinâmicas em rodas, desenhos de famílias e conversas sobre “quem cuida de quem”. São momentos que ajudam a criança a nomear quem é parte dos seus sistemas, mesmo os ausentes ou distantes.
Acolhimento das emoções
Para nós, emoção não se ensina apenas falando, mas vivendo junto. Validar sentimentos, "Vejo que você está triste, tudo bem sentir isso", é caminho para integrar emoções. Quando acolhemos emoções, abrimos espaço para que a criança se reconheça, sem medo ou vergonha.
Rituais de reconciliação
Os pequenos também podem sentir culpa, pesar ou saudades. Criar momentos de pedido de desculpa ou de homenagem a quem faz falta não é algo restrito a adultos. Uma carta para um avô distante, um desenho para um colega ausente ou até uma história compartilhada podem libertar emoções de repetição.
O papel do educador consciente
Sabemos por experiência que a postura do educador é um convite constante à presença. Educadores que olham para suas próprias narrativas e emoções abrem espaço para relações mais livres e maduras na sala de aula.
Temos o cuidado de trabalhar a autoconsciência antes de pedir mudança ao outro.
Oferecemos algumas estratégias que apoiam esse caminho no dia a dia:
- Criar espaços de diálogo autêntico entre equipe pedagógica.
- Praticar a escuta entre educadores, sem julgamentos prévios.
- Valorizar momentos de auto-observação e partilha de vivências pessoais.
Reconhecer-se como parte do sistema é o primeiro passo para transformar o próprio ambiente em que educamos.

Criando ambientes que acolhem o erro e a diversidade
Ambientes educativos marcados por acolhimento ao erro permitem que a criança ouse experimentar novas formas de agir, pensar e sentir. Incentivamos escolas e famílias a:
- Celebrar tentativas, não só acertos.
- Oferecer espaço para que a criança fale sobre como se sente ao errar.
- Fomentar brincadeiras que valorizem soluções diferentes para desafios comuns.
Espaços em que o erro não vira castigo – mas oportunidade de aprendizado – são férteis para o desenvolvimento da maturidade e da responsabilidade.
Integração de narrativas internas e externas
Outra ferramenta importante é ajudar a criança a contar e recontar suas histórias. Às vezes, criar livros coletivos, painéis de sentimentos ou linhas do tempo de experiências familiares permitem que as crianças integrem quem são dentro e fora de casa.
Quando compartilham suas vivências e escutam as dos outros, aprendem a ampliar o olhar. Um exercício que propomos: perguntar “O que mudou em você depois dessa história?” ou “Se você pudesse escolher um sentimento para guardar e outro para deixar ir, quais seriam?” Essas pequenas perguntas abrem espaço para autorreflexão desde cedo.
A força da meditação e atenção plena nas rotinas
Defendemos que a presença é treinável. Práticas breves de meditação adaptadas à infância – como respirar juntos, perceber sons ou observar cores ao redor – trazem grandes efeitos com constância.
Atenção plena reduz a reatividade, diminui ansiedades e ensina que pensamentos e emoções vêm e passam.
Podemos inserir momentos de pausa antes de iniciar uma atividade, após um conflito ou ao finalizar um projeto. Crianças aprendem, com exemplos, que é possível reparar em si mesmas e no outro sem pressa.
Nossa conclusão
Ao longo desta reflexão, destacamos que a infância pede olhares múltiplos, presença e sensibilidade. A psicologia marquesiana, em nosso entendimento, potencializa o crescimento de crianças conscientes, livres para experimentar, errar e recomeçar. Quando pais, educadores e cuidadores assumem também seus lugares dentro desse sistema, a rede toda se fortalece.
Educar é integrar: emoção, narrativa, contexto e escolhas.
Cada movimento em direção à consciência na infância amplia possibilidades que ecoam por gerações.
Perguntas frequentes sobre psicologia marquesiana na educação infantil
O que é psicologia marquesiana na educação?
Psicologia marquesiana na educação é uma abordagem que considera a criança em sua totalidade, entendendo-a como parte de sistemas familiares, sociais e institucionais. Essa visão amplia o olhar sobre o comportamento infantil, reconhecendo vínculos, emoções herdadas e padrões coletivos que influenciam a forma de aprender, relacionar e se desenvolver.
Como aplicar a psicologia marquesiana na prática?
Indicamos práticas como a escuta ativa das crianças, acolhimento de emoções sem julgamento, criação de dinâmicas para mapear vínculos importantes e momentos de atenção plena ou meditação. Também sugerimos que educadores trabalhem sua própria autoconsciência, participando de reflexões e partilhas para melhor atuar no cotidiano.
Quais são os benefícios para as crianças?
Os benefícios para as crianças incluem maior autoconhecimento, capacidade de expressar emoções, construção de relações mais saudáveis com colegas e adultos, além de maior segurança para experimentar e aprender. Com esse olhar, a criança cresce entendendo seu papel nos sistemas aos quais pertence e se sente respeitada em sua individualidade.
Onde aprender mais sobre psicologia marquesiana?
Para aprofundar-se no tema, orientamos a busca por cursos especializados, livros de referência e a participação em grupos de estudo que abordam práticas sistêmicas e o olhar integrado sobre o desenvolvimento. Educar-se continuamente é fundamental para aplicar as propostas de forma ética e efetiva.
Psicologia marquesiana funciona com todas as idades?
Sim, a psicologia marquesiana pode ser adaptada para todas as fases da vida, pois parte do princípio de que todos fazemos parte de sistemas e carregamos vivências compartilhadas. Na infância, sua aplicação é mais lúdica e sensível, mas os princípios seguem relevantes em adolescentes, adultos e idosos.
